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Entenda os cenários corporativos com o ROA e ROE.

June 1, 2016

 

 

Retornos sobre Ativos (ROA) (Return on Assets) e (ROE) Retorno sobre o Patrimônio Líquido (Return on Equity), são conceitos aparentemente similares, mas suas diferenças nos mostram um raio-X do negócio.

Nesse artigo, fácil de digerir e bastante simplificado, nós pretendemos desmistificar o conceito de alavancagem financeira, a principal causa das diferenças entre o ROE e o ROA. Um bom conhecimento desse conceito básico criará as condições necessárias para o entendimento de detalhes que podem auxiliá-lo a se tornar um investidor melhor.

 

Mensurar os atributos que levam um negócio ao sucesso sempre foi uma aventura, embora não sejam, normalmente, uma barreira intransponível para compreendermos como anda a saúde financeira das empresas. Você procura por números chave nos demonstrativos financeiros, introduz em fórmulas, e obtém , do outro lado, os resultados. O que é difícil para a maioria de nós é escolher quais fórmulas devemos empregar em um determinado cenário e compreender que resultados elas irão realmente nos fornecer.

 

Nessa discussão nós destacaremos duas medidas similares: Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e Retorno sobre Ativos (ROA).

De uma forma geral, ambos são índices que medem diretamente a lucratividade da companhia em relação ao investimento feito para gerar esses lucros. É nisso que o ROE e o ROA são parecidos. A parte mais interessante, é mergulhar fundo e descobrir que diferenças existem por trás desses dois conceitos.

 

Para entender realmente as diferenças entre o ROE e o ROA, você tem que se sentir muito à vontade com um conceito básico: alavancagem financeira.

Eu, particularmente, briguei por muito tempo com o conceito de alavancagem, e conseqüentemente, com as diferenças entre ROE e ROA.

Deu-me “o estalo” quando comecei a raciocinar melhor em cima de uma coisa bem simples – A fórmula básica da contabilidade !

 

De volta ao começo:

 

A fórmula básica da contabilidade é a seguinte:

Patrimônio Líquido = Ativos - Passivos

Se você não compreende bem essa relação, talvez a forma mais fácil seja fazer uma correlação com a compra da casa própria.  

Imaginemos que o preço de mercado da minha casa seja de R$100.000,00  e que  minha dívida com o sistema financeiro seja de R$75.000,00 .

Então:

Meu Patrimônio = Valor da Casa – Dívida

Ou

R$25.000,00  = R$100.000,00  - R$75.000,00

 

Agora, com base nessa relação contábil básica, faremos algumas manipulações algébricas:

 

Ativos = Patrimônio Líquido + Passivo

Continuando com o nosso exemplo da casa própria, isto se traduz em:

 

Valor da Casa = Meu Patrimônio + Dívida

Ou

R$100.000,00 = R$25.000,00 + R$75.000,00

 

Dê uma boa olhada nessas duas últimas equações antes de passar adiante.

Pode parecer meio engraçado a primeira vista, mas, se você  analisar por uns minutos irá encontrar um conceito bem familiar. Na linguagem do dia-a-dia sempre ouvimos:

 

“Minha casa = Meu Patrimônio + Dívida do Banco”

 

Mas, as aparências enganam .Esta relação, contém uma grande diferença que veremos posteriormente. Por ora, é tudo que precisamos para entender as raízes das diferenças entre o ROA e o ROE.

 

Desbravando a alavancagem financeira:

 

Com o básico nas mãos, vamos deixar o débito da casa própria para trás e mergulhar em um exemplo empresarial.

Vamos supor que a Lambretas S/A seja uma tradicional fabricante de lambretas para crianças , de baixo crescimento.

Seus maiores ativos são as instalações onde as lambretas são montadas e sua marca. Esses dois ativos juntos, poderiam ser vendidos por (têm o valor de mercado de) R$100.000,00. E, por fim, vamos assumir que a Lambretas S/A não possua qualquer dívida a longo prazo.  

Poderíamos obter simplificadamente a posição financeira da firma com o rearranjo da fórmula básica da contabilidade, conforme descrito abaixo:

 

Ativos = Patrimônio Líquido + Passivo

Ou

R$100.000,00  = R$100.000,00 + 0

 

Em outras palavras: se não existirem dívidas, o Patrimônio Líquido, e o total de Ativos da companhia serão iguais e terão o mesmo valor.

Dessa observação segue que o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) e o Retorno sobre Ativos (ROA) devem ter, também, o mesmo valor (o lucro é exatamente o mesmo, e o Patrimônio Líquido e os Ativos Totais são iguais).  Se nós ignorarmos por enquanto as minúcias do capital de giro, poderíamos dizer que quando “não houverem dívidas” o ROE = ROA.

 

Vamos então acrescentar um pouco de dívidas em nosso exemplo para tornar as coisas mais interessantes.

Imagine que a demanda por lambretas para crianças explodisse de uma hora para outra, presenteando a Lambretas S/A com uma oportunidade única de efetuar uma expansão no seu negócio. Aproveitando a oportunidade, os diretores da  Lambretas S/A decidiram aumentar a sua capacidade produtiva em 50%. Os executivos da Lambretas S/A foram até seu banqueiro conhecido para pedir um empréstimo de R$50.000,00 para expandir as instalações. E, no exato momento que o cheque desse empréstimo chegou às mãos dos diretores, poderíamos atualizar nossa fórmula conforme abaixo:

 

Ativos = Patrimônio Líquido + Passivo

Ou

R$150.000,00 = R$100.000,00 + R$50.000,00 .

 

Compare essa fórmula com a outra, acima desta e, mais uma vez, observe atentamente.

A comparação irá levá-lo diretamente ao conceito que existe por trás de alavancagem financeira:

Pegar empréstimos aumenta os ativos e passivos no mesmo valor, mas não produzem quaisquer impactos no Patrimônio Líquido.

Com este exemplo nas mãos, o conceito de “alavancagem” deve ter ficado bem claro. Empréstimos aumentam os ativos existentes em uma empresa sem necessitar qualquer investimento extra por parte dos proprietários.

Parece ótimo, não? Mas será que realmente é?

Juntando tudo …

Vamos continuar com nosso exemplo empresarial, vamos usar ambos o ROE e ROA para medir o desempenho da Lambretas S/A um ano após a  expansão de R$50.000,00 . Vamos assumir que o aumento da produção resultou num aumento de 50% nos lucros. Para manter as coisas o mais simples possível, vamos ignorar os benefícios fiscais resultantes do pagamento de juros sobre os empréstimos.

 

 

Antes da Expansão

Nenhuma dívida.

Assuma que a Lambretas S/A estivesse produzindo um lucro anual de  R$10.000,00

Ativos = Patrimônio Líquido = R$100.000,00

ROE = ROA = R$10.000,00 / R$100.000,00 = 10%.

 

Após a Expansão

Dívida de R$50.000,00 (passivo).

Pagamento de juros anuais de R$3.000,00 (6% de R$50.000,00).

Lucro da Scooter = R$15.000,00 (um aumento de 50% sobre os R$10.000,00 anteriores).

Lucro líquido = R$15.000,00 - R$3.000,00 = R$12.000,00 .

Ativos = R$150.000,00 .

Patrimônio Líquido = R$100.000,00 .

ROA = R$12.000,00 /R$150.000,00  =   8%.

ROE = R$12.000,00 /R$100.000,00  = 12%.

 

O que isso quer dizer?

Bom, pela ótica do ROA, os executivos da scooter erraram ao expandir as instalações, pois eles diminuíram em 2% seu retorno no investimento, reduzindo-o de 10% para 8% (embora o lucro tenha sido aumentado em 20%).

Por outro lado, de acordo com o ROE, eles fizeram a coisa certa, aumentando o retorno em 2%, totalizado agora em 12%. E agora, qual é a interpretação correta?

Como qualquer resposta que faz sentido, essa também é: ”depende”.

Pense no ROA como o motor do negócio. O ROE é o que acontece quando você alavanca esse motor, tomando empréstimos.  Se você tem um bom motor nas suas mãos (que produz um retorno positivo sobre ativos), tomar empréstimos irá aumentar o retorno do acionista.  Como nós vimos nesse exemplo, o empréstimo (passivo) nem tem que aumentar a performance do motor do negócio (ROA) para aumentar o retorno do acionista (ROE). O que ele não pode fazer é degradar muito esse motor.

Por outro lado, se esse motor não for bom, tomar um empréstimo apenas irá aumentar as perdas dos acionistas, porquê, mesmo que o ROA diminua, a companhia continuará a fazer pagamento de juros sobre esse empréstimo tomado para comprar ativos. Este ciclo vicioso poderá ser revertido quando uma queda do “motor ROA” for apenas temporária, como normalmente ocorre quando a economia como um todo, desacelera.

Então a resposta é: olhe para ambos. Se o ROA for bom e as dívidas estiverem sob controle, o aumento do ROE é um sinal de boa administração.  Por outro lado, se o ROA está diminuindo, ou a companhia não parece estar com boa estrutura financeira para superar períodos turbulentos, o aumento do ROE poderá ser apenas uma ilusão temporária - um prenúncio de problemas mais sérios. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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