Os Impactos da Reforma Tributária nos Escritórios de Contabilidade e Por Que a Maioria Ainda Não Está Preparado.
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A Reforma Tributária já tem data marcada. A partir de janeiro de 2026, o Brasil entra oficialmente na maior transformação fiscal dos últimos 35 anos e os escritórios de contabilidade estão no centro dessa mudança.
Não é exagero: o modelo tributário que você aprendeu, operou e dominou ao longo dos anos será substituído por uma lógica completamente diferente. E o problema não é apenas aprender novas regras. O problema é que a transição vai durar sete anos, com dois sistemas funcionando ao mesmo tempo, exigindo equipe, capacidade técnica e processos que a maioria dos escritórios ainda não tem.
Se você ainda está esperando a poeira baixar para começar a se preparar, este artigo é para você.
O Que Muda e Por Que É Mais Complexo do Que Parece
A Emenda Constitucional 132/2023, regulamentada pela Lei Complementar 214/2025, substitui cinco tributos — PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS — por três: a CBS (federal), o IBS (estadual e municipal) e o IS (Imposto Seletivo).
No papel, parece simplificação. Na prática não é bem assim, o período de transição entre 2026 e 2032 vai obrigar escritórios a operar os dois sistemas simultaneamente o atual e o novo. Isso significa o dobro de controle, o dobro de obrigações e o dobro de risco de erro para cada cliente da sua carteira.
Além disso, a legislação complementar ainda está em construção. Muitas das regras que definirão como o novo sistema funciona na prática alíquotas, regimes especiais, tratamentos setoriais ainda estão sendo regulamentadas. O cenário é de alta complexidade interpretativa, e as dúvidas que surgem hoje não têm respostas consolidadas.
Os Problemas Reais Que os Escritórios Vão Enfrentar
1. Dois sistemas rodando ao mesmo tempo por sete anos
De 2027 a 2033, os escritórios precisarão apurar os tributos atuais e os novos concomitantemente para cada cliente. Isso não é um ajuste operacional. É uma reestruturação completa de rotina, com maior custo administrativo, maior risco de inconsistências e mais pressão sobre as equipes.
2. Uma nova obrigação acessória: a DERE
A Reforma cria a Declaração de Receitas (DERE), que muda a lógica de apuração e amplia diretamente as responsabilidades dos escritórios perante seus clientes. É mais uma obrigação para absorver, interpretar e executar.
3. O crédito tributário agora exige pagamento confirmado não apenas nota fiscal
No novo modelo, o direito ao crédito de IBS e CBS só é válido após o pagamento efetivo do tributo na etapa anterior não mais pela emissão da nota fiscal, como funciona hoje. Isso exige que os sistemas contábeis sejam completamente atualizados para apurar créditos somente após a liquidação financeira.
4. O split payment vai mudar o caixa dos seus clientes e eles vão perguntar para você
Com o split payment, o recolhimento dos tributos será automático e imediato no momento da transação. Os clientes não poderão mais usar o valor do tributo como capital de giro. Isso vai gerar questionamentos, revisão de contratos, renegociação de preços e uma demanda intensa de consultoria que vai chegar no seu escritório.
5. Revisão de contratos e precificação para todos os clientes
As cláusulas contratuais que mencionam tributos, preço e repasse de custos precisarão ser revisadas. Empresas do Simples Nacional, em especial, precisarão avaliar se mantêm o regime ou migram para o regime regular de IBS/CBS uma decisão que depende de análise detalhada da cadeia de fornecedores e das margens de cada negócio. Seu cliente vai precisar dessa análise. Quem vai entregar?
6. Escassez de profissionais qualificados no mercado
A demanda por profissionais de fiscal e tributário já cresceu mais de 20% nos últimos meses, segundo dados da Fenacon. E o mercado não tem profissionais em quantidade suficiente para suprir essa demanda. Escritórios que não investirem em capacitação agora vão chegar a 2026 sem equipe preparada para atender o que os clientes vão exigir.
7. Sistemas que ainda não estão prontos
Os ERPs e softwares contábeis precisam ser completamente adaptados ao novo modelo de apuração. A adequação tecnológica não é automática exige tempo, testes e acompanhamento. Escritórios que não verificarem o roadmap dos seus fornecedores de tecnologia podem ser pegos de surpresa quando a cobrança começar.
8. Risco de perda de clientes para concorrentes mais preparados
O cliente não espera. Quando a reforma começar a impactar o caixa, a precificação e os contratos dele, ele vai buscar orientação. O escritório que não souber responder vai perder o cliente para quem souber. A preparação técnica vai se tornar um critério de permanência não apenas de diferenciação.
9. Novas demonstrações financeiras que precisam ser reapresentadas
A forma como CBS e IBS incidem "por fora" dos preços exige revisão das demonstrações financeiras, especialmente da DRE e do Balanço Patrimonial. Indicadores como EBITDA e margem bruta podem ser afetados, exigindo notas explicativas detalhadas e uma comunicação cuidadosa com os clientes.
10. Legislação incompleta e o contador como primeiro alvo da dúvida
As leis complementares ainda estão sendo construídas. Muitas perguntas práticas sobre como aplicar o novo sistema em setores específicos farmácias, serviços, comércio, indústria ainda não têm respostas definitivas. O cliente vai ligar para o escritório primeiro. E o escritório precisa ter resposta.
O Cronograma Que Você Precisa Ter na Cabeça
Período | O que acontece |
Janeiro/2026 | Início da fase de testes: CBS (0,9%) e IBS (0,1%) coexistem com o sistema atual. Emissão de notas fiscais já no novo modelo, mesmo sem recolhimento efetivo |
2027 | CBS substitui definitivamente PIS e COFINS; IPI zerado (exceto Zona Franca de Manaus) |
2029–2032 | Transição progressiva do ICMS e ISS para o IBS |
2033 | Novo sistema plenamente vigente. Sistema atual extinto |
A janela de preparação existe. Mas ela não é infinita.
A Oportunidade Real Para Quem Chegar Primeiro
Em meio a tudo isso, existe uma virada de chave importante: a Reforma Tributária vai liberar os escritórios das tarefas operacionais repetitivas e abrir espaço para serviços de muito maior valor e de muito maior receita.
Consultoria sobre impactos setoriais da reforma, planejamento tributário preventivo, análise de regime tributário, reestruturação societária, orientação sobre split payment e capital de giro — são serviços que os clientes precisarão, estão dispostos a pagar e que a maioria dos escritórios ainda não oferece de forma estruturada.
Quem construir esse posicionamento agora vai colher os frutos quando a demanda explodir.
Seu Escritório Não Precisa e Não Deve Enfrentar Isso Sozinho
A Reforma Tributária não exige apenas atualização técnica. Exige equipe, método e direção.
Muitos contadores estão tentando atravessar essa transição por conta própria: interpretando leis complexas, revisando cadastros de clientes e ainda mantendo a operação do dia a dia funcionando ao mesmo tempo. É uma equação que não fecha.
A verdade é direta: ninguém atravessa uma mudança estrutural dessa magnitude sozinho.
Assim como as empresas precisam de apoio especializado para se adequar à Reforma Tributária, o contador também precisa de acompanhamento estratégico alguém que já esteja testando, aplicando e ajustando os processos na prática, antes que as exigências se tornem obrigatórias para todos.
Faça agora o Diagnóstico dos Impactos da Reforma Tributária no seu Escritório.
Entenda exatamente onde seu escritório está vulnerável, o que precisa ser ajustado e saia com um plano de ação completo para conduzir sua equipe e seus clientes por essa transição com segurança.









































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